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Museus
como espaços de comunicação estratégica: Estudo de caso do Museu de Lanifícios
da Universidade da Beira Interior
Museos
como espacios de comunicación estratégica: Estudio de caso del Museo de
Lanificios de la Universidad de Beira Interior
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Lic. Sandra Beatriz Llerandi Rodríguez[1] sllerandirodriguez@gmailcom ORCID: https://orcid.org/0009-0006-3610-0670 |
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Lic. Laís Rocha Moreira[2] ORCID: https://orcid.org/0009-0000-3778-3908 |
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Cita sugerida (APA, séptima
edición)
Sandra Beatriz Llerandi, S.B. y Rocha, L. (2025). Museus como espaços de comunicação
estratégica: Estudo de caso do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira
Interior. Revista Mapa. 13(38), 293–300.
http://revistamapa.org/index.php/es
RESUMO
O
presente artigo tem como objetivo analisar o funcionamento comunicacional do
Museu de Lanifícios (MUSLAN), localizado na cidade da Covilhã, Portugal, a
partir de uma perspetiva aplicada da comunicação estratégica e
das relações públicas. Trata-se de uma investigação de natureza qualitativa,
que recorreu à realização de entrevistas semiestruturadas, observação direta e
análise documental, com o intuito de compreender como se estruturam os fluxos
comunicacionais internos e externos numa instituição
cultural que não possui um gabinete profissional de comunicação. As informações
recolhidas foram organizadas em categorias temáticas, permitindo identificar
fragilidades como a ausência de pessoal especializado, a fragmentação da
comunicação interna e o uso de uma linguagem excessivamente técnica. Apesar
dessas limitações, o museu conseguiu manter presença digital e obter
reconhecimento público, graças ao empenho da sua equipa. A análise culminou na
proposta de uma estratégia de comunicação focada na profissionalização do
setor, na diversificação de conteúdos segundo os canais, no reforço do vínculo
com a comunidade e na capacitação de porta-vozes institucionais. A experiência
analisada demonstra a importância de integrar ferramentas profissionais para
otimizar a gestão comunicacional nos museus, posicionando-os como espaços
ativos de diálogo cultural. Para além disso, este trabalho representa um
contributo significativo para a nossa formação como profissionais da
comunicação estratégica, articulando a teoria com uma experiência de campo
concreta e transformadora.
Palabras chave: comunicação estratégica, comunicação
institucional, museologia, planeamento estratégico, relações públicas
RESUMEN
El
presente artículo tiene como objetivo analizar el funcionamiento comunicacional
del Museo de Lanifícios (MUSLAN), ubicado en la ciudad de Covilhã, Portugal,
desde una perspectiva aplicada de la comunicación estratégica y las relaciones
públicas. Se trata de una investigación de corte cualitativo que empleó
entrevistas semiestructuradas, observación directa y análisis documental para
comprender cómo se estructuran los flujos comunicativos internos y externos en
una institución cultural sin un gabinete profesional de comunicación. La
información fue organizada en categorías temáticas que permitieron identificar
debilidades como la ausencia de personal formado en comunicación, una
comunicación interna fragmentada y el uso de un lenguaje excesivamente técnico.
A pesar de estas limitaciones, el museo ha logrado mantener presencia digital y
recibir reconocimientos, gracias al compromiso de sus trabajadores. El estudio
propone una estrategia de comunicación enfocada en la profesionalización del
área, la diversificación de contenidos según canales, el fortalecimiento del
vínculo con la comunidad y la capacitación de voceros institucionales. La
experiencia analizada evidencia la importancia de integrar herramientas
profesionales para optimizar la gestión comunicativa en museos, posicionándolos
como espacios activos de diálogo cultural. Además, este trabajo representa un
aporte clave en nuestra formación como profesionales de la comunicación
estratégica, al articular la teoría con una experiencia de campo concreta y
significativa.
Keywords: comunicación estratégica, comunicación institucional, museos; planificación estratégica, relaciones públicas
A
comunicação estratégica e as relações públicas ocupam
atualmente um papel fundamental na construção da imagem institucional, na
consolidação da reputação e na manutenção de um vínculo sustentável entre as
organizações e os seus diferentes públicos (Grunig & Hunt,1984). No
contexto das instituições culturais, como os museus, essas práticas ganham uma
dimensão ainda mais relevante, visto que não apenas se trata da gestão do
património, mas também da forma como este é narrado, comunicado e experienciado
pela comunidade (Costa,2022).
Este
artigo apresenta um estudo de caso realizado no Museu de Lanifícios da
Universidade da Beira Interior (MUSLAN), situado na cidade da Covilhã, em Portugal.
A escolha da instituição está relacionada com o seu valor simbólico, histórico e cultural na região, bem como com o seu impacto no meio
académico e estudantil da cidade. Além disso, o MUSLAN representa uma
oportunidade ímpar para compreender as dinâmicas comunicacionais de uma
organização museológica que opera sem um departamento profissional de relações
públicas ou comunicação.
O
objetivo principal deste estudo é analisar as práticas comunicacionais do
MUSLAN, considerando a sua estrutura organizacional, os recursos humanos e técnicos disponíveis, os canais utilizados, bem como os
públicos com os quais interage. A partir desta análise, se propõe uma
estratégia de comunicação que contribua para a profissionalização da área, o
fortalecimento da presença institucional, a melhoria dos fluxos de informação e
o aumento da participação da comunidade.
Este
estudo também procura reforçar a importância da integração de profissionais de
comunicação e relações públicas em ambientes culturais, especialmente em contextos
com restrições orçamentais (Cardoso,Espanha &
Lapa,2021). Do ponto de vista académico e profissional, o trabalho configura-se
como uma experiência prática que articula diagnóstico organizacional,
intervenção estratégica e desenvolvimento de competências técnicas essenciais à
atuação na área da comunicação estratégica.
Os
materiais utilizados na realização do estudo incluem documentos institucionais
do museu, publicações digitais, comunicados de imprensa, redes sociais, trocas
de e-mails com responsáveis da instituição e, sobretudo, a entrevista realizada
com a coordenadora do centro de documentação e arquivo histórico do museu, que
desempenha igualmente funções de comunicação. O trabalho está ancorado em uma
abordagem qualitativa, centrada na interpretação de significados e dinâmicas
sociais próprias do campo comunicacional institucional.
METODOLOGIA
A
presente investigação adota uma abordagem qualitativa, considerada a mais
adequada para captar a complexidade das práticas comunicacionais em contextos
institucionais com estruturas informais e realidades dinâmicas (Denzin &
Lincoln, 2018). O objetivo não é quantificar, mas compreender os significados
atribuídos pelos atores envolvidos às suas práticas comunicacionais e ao papel
que estas desempenham na construção da identidade institucional (Flick,2022).
A
escolha da metodologia qualitativa responde à necessidade de explorar uma
organização sem uma estrutura de comunicação formalizada, tornando necessário
investigar como processos informais e experiências individuais sustentam o
relacionamento do museu com seu público (Minayo,2012). Essa escolha metodológica
também foi consistente com os objetivos deste estudo, que se orientavam para
uma compreensão aprofundada em vez da generalização estatística (Creswell,
2014).
A
natureza exploratória e descritiva da pesquisa justifica o recurso a técnicas
metodológicas que permitam observar, descrever e interpretar as estratégias
comunicacionais empregadas pelo Museu de Lanifícios da Universidade da Beira
Interior (MUSLAN). Assim, foram utilizadas as seguintes técnicas:
A
triangulação metodológica entre as três técnicas permitiu estabelecer uma
análise robusta e coerente, ao cruzar os dados orais, observacionais e
documentais. A organização dos dados foi feita através da codificação aberta e
categorização temática, segundo os seguintes eixos: (i) estrutura
organizacional, (ii) canais e suportes comunicacionais, (iii) públicos e
stakeholders, (iv) linguagem institucional, (v) comunicação interna, (vi)
comunicação digital e (vii) estratégias e planeamento.
Essa
estruturação metodológica não apenas validou os dados obtidos, como também
revelou a importância de uma abordagem sensível ao contexto para compreender os
desafios enfrentados por instituições culturais em ambientes com recursos
limitados.
ANÁLISE E
RESULTADOS
A
análise dos dados recolhidos revelou múltiplas dimensões da comunicação
institucional do MUSLAN, evidenciando os desafios e as soluções improvisadas
que caracterizam o seu funcionamento comunicacional.
A
principal constatação é a inexistência de uma estrutura formal dedicada à
comunicação. As funções comunicacionais são desempenhadas por colaboradores
cujas formações e funções principais pertencem a outras áreas. A Dra. Helena
Correia, por exemplo, acumula a responsabilidade do arquivo histórico e a
comunicação, o que reflete um modelo informal e dependente de iniciativas
pessoais. A ausência de uma equipa de comunicação impacta diretamente na
regularidade das ações, na coerência discursiva e na capacidade de planeamento
de médio e longo prazo. (Hallahan, K., Holtzhausen, D., van Ruler, B.,
Verčič, D., & Sriramesh, K. 2021).
Observou-se
que a comunicação externa é pautada por conteúdos de caráter informativo e
institucional, com ênfase na difusão de eventos, exposições e parcerias. A
linguagem predominante é técnica, com forte densidade histórica, o que
dificulta o engajamento de públicos não especializados. Os canais utilizados
são principalmente o site institucional, Facebook, Instagram e LinkedIn, com
pouca diferenciação entre eles. Os mesmos conteúdos são replicados em todos os
canais, sem adaptação ao perfil de cada público ou plataforma.
Apesar
da presença em redes sociais, o uso estratégico desses canais ainda é limitado.
Há carência de conteúdos multimédia, vídeos explicativos, visitas virtuais, ou
postagens interativas. A estética visual das publicações também não segue uma
linha gráfica consistente. Segundo a entrevistada, a produção de conteúdos
digitais depende, em grande parte, da colaboração com estudantes e parceiros
externos, o que torna as ações irregulares.
A
circulação da informação entre os membros da equipa baseia-se, sobretudo, em
interações presenciais e comunicação oral. Não há protocolos definidos para
reuniões, fluxos de comunicação formal ou sistemas de gestão de informação
interna. Essa informalidade dificulta a coordenação de atividades, a integração
de novos membros e a avaliação de resultados.
Apesar
das limitações identificadas, o MUSLAN recebeu, em 2020, uma menção honrosa
pela Associação Portuguesa de Museologia, pela sua
atuação durante a pandemia. Essa distinção foi atribuída à capacidade de
adaptação digital e resiliência da equipa, mesmo sem um plano estratégico
estruturado. A recente atualização do website com apoio do Turismo de Portugal
e a colaboração com a Universidade da Beira Interior também demonstram o
potencial para inovação e renovação institucional.
Síntese SWOT:
Forças:
Fraquezas:
Oportunidades:
Ameaças:
A
análise confirma que o MUSLAN opera num modelo de comunicação reativo,
dependente da boa vontade dos seus colaboradores. No entanto, essa condição não
invalida a possibilidade de reestruturação. A implementação de um plano
estratégico, baseado na segmentação de públicos, diversificação de narrativas e
capacitação institucional, poderá fortalecer a imagem e a eficácia comunicacional
do museu no médio prazo.
CONCLUSÃO
O
estudo evidencia a relevância da comunicação estratégica como pilar fundamental
na consolidação da imagem de instituições culturais. A experiência do Museu de
Lanifícios revela que, mesmo com limitações orçamentais e estruturais, é
possível construir uma narrativa institucional coerente, desde que apoiada por
profissionais capacitados e por uma visão estratégica.
A
profissionalização da comunicação, a segmentação de conteúdos, a valorização da
identidade local e a aposta na inovação digital são elementos chave para
garantir a sustentabilidade e a relevância do MUSLAN enquanto espaço de memória
e de futuro. A proposta de plano de comunicação delineada ao longo deste
trabalho visa precisamente fortalecer essas dimensões e preparar a instituição
para os desafios contemporâneos da comunicação cultural.
Enquanto
estudantes e futuras profissionais na área da Comunicação Estratégica e
Relações Públicas, esta experiência nos permitiu aplicar conhecimentos teóricos
num contexto real, desenvolver uma leitura crítica sobre práticas
institucionais e propor soluções viáveis e sustentadas. Este artigo representa,
assim, um marco importante no nosso percurso académico e profissional.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS